About

O Pipi Colonial é um colectivo formado em Lisboa pelas investigadoras Ana Cristina Cachola, Daniela Agostinho e Joana Mayer que se expressa através da curadoria, da programação e da produção de pensamento crítico.

O objectivo do Pipi Colonial é problematizar a teia de relações entre género e colonialidade a partir de uma perspectiva feminista, sistémica e interseccional, sem contudo obliterar a situacionalidade dos sujeitos de enunciação. Quer isto dizer que o colectivo não se furta à complexidade de abordar questões de género e colonialidade a partir da posição do sujeito feminino, branco e europeu, reconhecendo assim a “dupla articulação” do colonial de que fala Homi Bhabha, com legados e efeitos díspares para colonizadores e colonizados.

Inspirado pela teoria feminista, pós-colonial e descolonial, o colectivo investiga o imaginário histórico resultante desta dupla articulação, uma condição que é tanto partilhada como diferenciada, indagando de que forma estes imaginários se encontram por via quer da tensão quer da convivialidade. O Pipi Colonial procura criar espaços de confluência solidária de agendas, aspirações e receios que reconhecem a diferencialidade da experiência material de cada uma, diferencialidade esta que é encarada como desejável e produtiva.

O Pipi Colonial entende a colonialidade como a persistência e mutação da racionalidade colonial no período histórico pós-colonial. Questiona, desta forma, a temporalidade linear implícita na periodização histórica, procurando dar visibilidade à “presença colonial”, isto é, à persistência de formas anacrónicas de racionalidade colonial no presente, nomeadamente através de novas configurações de colonialidade capitalista e belicista. O Pipi Colonial reflecte assim sobre as linhas de continuidade entre formações coloniais, sobre o legado do passado colonial na contemporaneidade, e sobre a forma como estas condicionam e se articulam através de categorias de género.

Por fim, a actuação do Pipi Colonial explora a potencialidade epistémica do curatorial, entendido como prática de produção de conhecimento para além do expositivo e programático. Através deste modelo curatorial, o colectivo procura novas ferramentas epistémicas que resultam do encontro entre teoria, criticalidade, prática artística, programação e circuitos informais de circulação de saber. O Pipi Colonial acredita que o festivo, o recreativo e o nocturno são formas válidas de formulação colectiva de conhecimento.

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